Aula de teoria literária e o professor está mais uma vez discorrendo sobre como nosso conceito de concreto e abstrato está invertido:
“O conceito de mesa é completamente abstrato. O amor é que é concreto. Se eu sentar na cadeira e tiver um prego, vai doer, isso não é abstrato. O amor também não é abstrato, eu sinto! Mas não quero chegar a dizer que o amor é um prego na bunda”.
Eu digo que é sim.
Um bom exemplo de prego na bunda (e juro que não estou pensando em conotações sexuais) foi um cara que conheci em 2005, o ano divisor de águas. Nos conhecemos num momento propício, pois eu tinha acabado de resolver me apaixonar e ele tinha todas as expressões faciais necessárias para tal. Era tão exato que assustava. Assim, cismei com o imbecil. Digo isso agora só pra deixar claro que eu sempre soube que ele era um imbecil. Mas sabe como são covinhas… quando você vai ver, já está fascinada por elas.
Entregue ao paradoxo da esquizofrenia da personalidade dele mascarada pelas covinhas que resultavam daquele sorriso enorme (e eu adoro, adoro, adoro sorrisos) e entediada pela falta do que fazer, dediquei meses do meu tempo a ele. Em vão. E tudo por alguém que eu já sabia que não me faria bem algum. Porque é assim: a gente se esforça pra conseguir a Pessoa, sem nenhuma garantia de retorno, tendo duas opções, a) conseguir, b) não conseguir. O problema é que o “conseguir” se divide em outras duas opções, a) dar certo, b) não dar certo. E é tanta coisa que precisa dar certo pra poder DAR CERTO, que dá uma preguiça…
Porque quando você consegue e não dá certo, não vem ninguém te dar o dinheiro de volta (e eu nem acredito em quanto dinheiro gastei atrasando minha vida…). Depois que você senta no prego (juro, sem trocadilhos), ninguém aparece pra tirá-lo da sua bunda. Você que levante, que sinta o prego saindo e ainda agüente depois a dor que fica até o buraco fechar. É claro que tem as coisas bonitas também, é claro que tem. Tem prego que dá vontade de nem arrancar, ou de guardar no bolso depois (guardo um ou dois). Mas a parte óbvia pela qual lutamos no pacote é garantida: primeiro, o susto, por fim, a dor (e, eventualmente, uma cicatriz que dá coceira).
A frase que eu mais gostei foi “Assim, cismei com o imbecil.”.
Nhai……
mas é EXATAMENTE isso!!!!!!!!!!!!!
o.O’
=***
O problema é quando o prego está enferrujado. Me identifiquei bastante com esse texto, como há algum tempo não me identificava.
Puts! Bem assim mesmo muié.
… pois é esses pregos. engraçado em quantos outros ainda sentamos, mesmo sabendo as opções, ou imaginando como isso talvez acabe, engraçado também que ele entra as vezes no mesmo buraco… e amortece a dor que o outro deixou!
ah… é isso.
O que seria da vida sem pregos?!
… isso aqui está muito legal. Fez valer meu sábado.