mutantes e transes e cores. há também os olhos que não caem mais sobre mim – imatura, não soube cuidar ou gostar ou poupar pessoas do meu blablabla bêbado. hoje em dia não observo mais. só vejo – olho sem pudor. restou a dissonância louca do que fomos. anos e anos. e falo, sem política alguma na voz, que não contesto mais o que passou. entre em contato. obrigada.
eu extrapolo. eu explodo. eu aglutino. não eu sentido faço. sofro de dislexia. de desmemória. de não-dinheiro. eu assisto cenas de terror que – adivinhe só – duas pessoas proporcionam. imagine o cadáver de um hippie que cheira cocaína dentro de uma sala com pouca luz e muita gente. sou eu. homem. feito. sou eu. hippie que assiste ao drama mexicano versão terror lésbico em silêncio. mas meu amigo, deixe-me dizer que quando o circo pegar fogo – isso há de acontecer, trust me – estarei confortavelmente instalada na área vip com um pedaço de pizza na mão e uma long neck na outra. este será meu camarote.
qual é o pedido, baby? um dry martini? um soco na cara? garçom, por favor, traga uma dose de sentido àquela moça sentada logo ali – a que acabou de acender um cigarro, a que vive o clipe sem nexo pierrot retrocesso que cazuza cantou. tão silenciosa. camarada. campeão. uma dose. um soco. a conta. boa noite.
me cansa a não-mutação dos pensamentos. na loucura, o filé vira osso e mulher vira bicho vira transe surto incomodo bandeiras roupas sutiãs rasgados queimados fogo pogo fogos. vamos, por favor, difundir o sentimento de libertação visceral. esquema cachorro-louco. estamos a quantos trezentos passos do paraíso? e da brigadeiro? porque ontem desci a brigadeiro sozinha de noite – nunca achei que seria aquele o meu caminho pra casa. e recordações me cansaram demais. de tão absorta em meus próprios pensamentos, acabei tropeçando em um garoto desconhecido com uma camiseta do radiohead e uma skol na mão. pensei: que randômico. e absorta, na quase-flutuação, pensei que poderia ser abordada por um marginal. morta. estuprada. quão perigosa são as avenidas de são paulo – eu que sei. daí a decisão: não mais divagar. esta foi a última vez. baby. mais. devagar.
portanto, que o dry martini esteja seco, quente e que lhe queime a boca. porque eu estou farta dessa elegância mendiga.
viver é isso mesmo, um curta metragem louco e rouco onde todos os expectadores estão bebados demais e falando alemão sem saber como – dry martini é totalmente esse texto teu, muito.
“me cansa a não-mutação dos pensamentos”… é o que mais cansa…….
um uísque, por favor…
com água… uísque com água…
pouca água… trinta e oito avos…
… só uísque.
divague, baby, divague(o maior perigo é interno…)
um uísque…
com água… uísque com água…
pouca água, vá lá… trinta e oito avos…
…só uísque.
adorei
Acontece muito. Como eu já disse, viver é intransitivo. E este viver, súbito, vira divagar, e o divagar é viver também, e a vida também é perigosa porque as pessoas não gostam que vivamos.
Vivace!